19 de Novembro de 2009

É favor besuntarem-se. 

(...)O mais deprimente é a sensação generalizada com que se fica de que Portugal está a caminho de se transformar numa república em que as bananas crescem num lodaçal. É nesses lugares que os valores se evaporam, as leis são impunemente violadas, tudo se degrada, todos os responsáveis são cúmplices e nada nem ninguém consegue evitar isso.

Mas é muitíssimo bem feito. Elegeram essa gente? Pois têm o que merecem… Assoem-se lá a esse guardanapo. Besuntem- -se com o resultado. Amanhã ainda vai ser pior...
Vasco Graça Moura no Diário de Notícias.

18 de Novembro de 2009

Amanhã na Universidade dos Açores 



9:00 Sessão de abertura pelo Magnífico Reitor da Universidade
dos Açores

9:30 Conferência Inaugural
Preside: Gabriela Castro
Percursos da mundividência
naturalista nos Açores
José Luís Brandão da Luz

10:00 Painel de Comunicações
Preside – Magda Costa Carvalho
História ou Geografia – Eis a Questão
António Machado Pires

Espaços e encontros insulares
na diáspora açoriana no Canadá
Irene Blayer

Açorianidade em auto-revisitação
– ou virando o disco para tocar o mesmo
Onésimo T. de Almeida

An Exonome Artist
João de Brito

11:00 Debate
11:15 Intervalo

11:30 Mesa Redonda
Açorianidade: identidade e autonomia
Moderador: Carlos Amaral
Carlos Cordeiro
Filomena Ferreira
Rui de Sousa Martins
José Nuno da Câmara Pereira
Daniel Oliveira

12:30 Pausa para Almoço


14:30 Painel de Comunicações
Preside – Susana Costa
Percursos Migratórios Afectivos:
Ser-se Açoriano na América e Como
Francisco Cota Fagundes

(Título a designar)
Vamberto Freitas

O movimento associativo religioso e laico
na perspectiva da identidade açórica.
Tentativa de abordagem
Fernanda Enes

Açorianidade: metáfora de cultura?
Berta Miúdo

Ecocrítica e os Açores
Victor K Mendes

15:30 Debate
15:45 Intervalo

16:00 Mesa Redonda
Açorianidade: sentidos e simbologia
Moderador: Rui Sampaio
Isabel Albergaria
Chrys Chrystello
Margarida Machado
Gabriela Funk
Susana Serpa Silva

17:00 Conferência de Encerramento
Preside: Gabriela Castro

O próximo e o longínquo:
a vivência na Açorianidade
Michel Renaud

17:30 Debate
17:40 Momento Musical

17 de Novembro de 2009

Leitura indispensável. 


Embora não ande com muito tempo para leituras livres, as obrigatórias são mais do que muitas, este "A Paixão do Poder" de José Antonio Marina, não sendo obrigatório torna-se indispensável.
José Antonio Marina, é um dos mais interessantes filósofos contemporâneos que desenvolveu uma teoria filosófica da inteligência desde a origem neurológica até aos mais profundos e abstractos caminhos da ética.
“A Paixão do Poder” é, à semelhança de outras obras do autor, uma demonstração de que a filosofia não é uma ciência inatingível fora da esfera dos seus estudiosos.
Numa livraria perto de si.

13 de Novembro de 2009

Serei apenas eu que vou com o passo certo? 


A nova Ministra da educação Isabel Alçada, disse ontem em entrevista a Judite Sousa que na próxima semana haverá novidade no que ao sistema de avaliação dos professores e estatuto da carreira docente concerne. Disse também que essas propostas serão dadas a conhecer em “primeira mão” aos sindicatos e aos professores em geral.
Talvez fosse bom lembrar a Senhora Ministra que governar não é como escrever estórias para criancinhas.
Em Portugal, por enquanto, vivemos um estado de direito democrático com separação de poderes (cof.cof.cof.) onde o poder legislativo cabe, em primeiro lugar à Assembleia da República, não às corporações.
Até à invenção de uma nova forma de governo e de organização constitucional corporativa, Portugal vive, constitucionalmente uma democracia representativa de iniciativa parlamentar.
É sempre bom lembrar isso aos detentores de cargos públicos, já que, à maioria dos cidadãos, isso importa pouco, pelo menos até que lhes faça falta no pão de cada dia para a boca dos filhos. Liberdade não enche barriga, mas enche a alma.

12 de Novembro de 2009

Mais uma facada no regime. 

VERDADE E BLINDAGEM
O direito processual - adjectivo - existe para (é o meio de transporte para) chegar a uma coisa chamada verdade material. A forma é justiça mas não esgota a justiça. Isto aprende-se até no bar da faculdade de direito. A intercepção, vulgo escuta, é um meio de prova mas não é a prova. Isto é, não serve sozinha. Em 2007, o regime (PS, PSD, CDS, ou seja, os arquinhos e o balão do regime) decidiu "blindar" o PR, o presidente da AR e o 1º ministro quanto ao modo de usar as intercepções por causa de um processo concreto. O que revela uma extraordinária "técnica legislativa" que nem nos wc da faculdade de direito se aprende. É, porém, a interpretação dessa "blindagem" que divide o dr. Noronha e o dr. Monteiro. Não é a verdade material. E, muito menos, um sucateiro com uma boa agenda telefónica.
João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos.

11 de Novembro de 2009

Carta Aberta ao Primeiro-ministro 

Carta aberta ao primeiro-ministro José Sócrates

Autor: João Miguel Tavares
Excelentíssimo senhor primeiro-ministro: Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telenovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS:”Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão.” O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.
Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a “Face Oculta”, essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.
Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do Pais. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também.
Atentamente, JMT.
Via 31 da Armada com chamada de atenção no Blasfémias.

10 de Novembro de 2009

Já agora... 

... uma pergunta.
Quando Tabucchi escreve "Mulher de Porto Pim" é um escritor açoriano?

Só podia ser mesmo de esquerda. 

A política cultural seguida nos Açores é distintamente de esquerda, quer pelo carácter actual e cosmopolita, quer pela "protecção" dos seus Arquivos (e tradições), quer ainda pela abertura à investigação, a par da sua contextualizada difusão. Não obstante, devemos promover o conhecimento, de forma mais ou menos lúdica, bem como, estabelecer uma relação mais estreita com a ciência e as novas formas de tecnologia, de modo a que se estabeleçam cumplicidades e a transferência de conhecimento entre áreas distintas (inspirado parcialmente em António Pinto Ribeiro, "À Procura da Escala", Ed. Cotovia, 2009).
Eu sei que ando atrasado alguns dias. Contudo não posso deixar de me referir a esta pérola do Alexandre Pascoal.
Caríssimo Alexandre, é precisamente por causa dessas prespectivas maniqueistas que a cultura Açoriana está no lastimável estado em que está. Talvez, se assim o entendes, é precisamente por ser de esquerda que essa política, ao longo dos anos, deu o deplorável resultado que deu. Politicas culturais socialistas e paternalistas no tempo dos governos do PSD e do comunismo católico do Dr. Mota Amaral, politicas igualmente socialistas e paternalistas no tempo do socialismo agnóstico de Cesar & Ciª ldª
Já agora, essas bolsas que enalteces, são de um miserabilismo tal que até mete nojo. Gostava bem de ver se fosse uma medida de outro partido e tu fosses ainda um simples promotor cultural. O que não dirias, para além do que escreverias.
Por mim não havia nem bolsas nem sequer subsidios. A criação artistica e cultural tem que, de uma vez por todas, deixar de ser um negócio, uma espécie de RSI para intelectuais.
Criar, seja nas artes plásticas, na música ou na literatura é um processo egoista e tem que continuar a ser, sob pena da virmos a assistir a uma globalização da cultura.
Ao contrário do que a maioria dos pseudo cosmopolitas que vós (pseuso intelectuais de erquerda) sois, Eu acho que deve haver uma música açoriana, uma literatura açoriana, uma pintura açoriana e que isto não seja uma espécie de segunda edição da visão neo-darwinista de Vitorino Nemésio. Não é a Ilha a lava e a gaivota que determinam a minha escrita, sou eu que o faço, sem determinismos históricos ou geográficos mas sem renegar a origem do meu saber. Sem peias, sem subsidios, livre de ser e pensar, livre de expressar o meu sentir.

9 de Novembro de 2009

Olha que não parece.... 

Pátria
A distância mata, dizem. Ou pelo menos solidifica uma certa agonia na ansiedade de tentar explicar Portugal. Quero lá saber do sucateiro do regime, da maçonaria, do modesto corrupto dos 10,000 Euros, da queixa-crime contra desconhecidos no jogo de futebol Braga-Benfica, dos barões do PPD, do Hulk, do livro do Sousa Tavares, do programa do Governo, do Deus mal disposto do Saramago, do sistema, da ladroagem, da miséria de Portugal contada às crianças.Deixei de viajar com passaporte português. E também não quero saber.
Carissímo António João
Não me parece que não queiras saber. Bem pelo contrário. Para mim, é bem dificil de perceber que, estando tu aí no país das liberdades e garantias, te incomode tanto o que se passa na Pátria. É caso para dizer que saiste da pátria mas esta não sái de ti. Liberta-te Homem, poeta.

8 de Novembro de 2009

Quem foi que pediu uma Glasnost? 

«O Partido Comunista Português considera que 20 anos após a queda do Muro de Berlim “o mundo está hoje mais injusto, mais desigual, mais perigoso e menos democrático” e que aumentou a “opressão e exploração dos povos – a começar por muitos dos ex-países socialistas, com a regressão de direitos laborais, a privatização de funções do Estado, com a ofensiva contra direitos e liberdades historicamente alcançados”.»
Notícia da LUSA com base no comunicado do PCP sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim, via o Arrastão.

7 de Novembro de 2009

Limitação de mandatos 


Este Senhor, Franklin Delano Roosevelt , foi a primeiro a suscitar a questão da limitação de mandatos na modernidade, originando a 22ª emenda e foi o único Presidente dos EUA a ser eleito para mais do que dois mandatos, 4 no caso. Já Aristólteles no seu Tratado de Política havia aflorado a questão da alternância do poder.
Como disse aqui, há algum tempo, sou totalmente contra a lei de limitação de mandatos porquanto entendo que é uma lei antidemocrática e que passa um atestado de menoridade aos cidadãos. Nesta mesma linha de pensamento, também não aceito a lei da paridade (os resultados estão bem à vista, menos deputadas, menos autarcas, menos Directoras regionais). Mas, não é por causa dos resultados, é por causa do princípio e dos argumentos.
A democracia, tal como a conhecemos, é um sistema de governo de iguais para iguais. Então, se é de iguais para iguais, limitar a escolha, pelos iguais, do acesso de um igual a um cargo de poder, é coarctar a liberdade de escolha dos iguais e fazer de um igual um menos igual.
Obviamente, este debate ressuscitou por causa das declarações de Cesar a abrir a possibilidade de um novo mandato e as recentes dúvidas levantadas por Jorge Miranda (dúvidas que residem apenas no espirito da lei, entenda-se) sobre essa possibilidade. Por mim, tanto se me dá como se me deu que Cesar seja candidato em 2012, os iguais que escolham, eu sempre direi que, sendo igual, não tenho culpa, não votei nem voto Carlos Cesar. Porém, parece-me despropositada a preocupação quer de socialistas quer de social-democratas sobre esta questão.
Na verdade, o que essa preocupação reflecte é: Por parte do PSD uma enorme descrença na possibilidade da sua líder vencer Carlos Cesar; Por parte do PS uma escandalosa crença de que o PS sem Cesar não será coisa alguma.
Afinal quase concordo com a lei, não estamos entre iguais mas entre um iluminado e uma manada de animais domésticos na perspectiva Aristotélica.